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A Josefinas escolheu 10 bons livros para ler durante as férias

É daquelas pessoas que aproveita as férias para pôr a leitura em dia? Então, este artigo é para si. Pedimos à portuguesa Josefinas que partilhasse com os leitores da hAll duas mãos cheias de livros para ler no verão. E este foi o resultado.


Independentemente do tipo de pessoa que é, temos a certeza de que existe um livro algures para si. Para ler na piscina, à sombra do chapéu-de-sol, à beira-mar, no jardim ou na esplanada (e, de preferência, com uma caipirinha na outra mão), espreite abaixo as sugestões da marca e boas leituras.


"Carta à Minha Filha", de Maya Angelou

"Escolher este 'Carta à Minha Filha' para estrear o Clube de Leitura da Josefinas em 2020 pareceu-nos mais do que acertado e este continua a ser um livro que recomendamos sem hesitar. Ele é, na verdade, uma carta à filha que nunca existiu e uma homenagem a todas as mulheres do mundo. Ao longo de 28 curtos capítulos, Maya conta-nos diversas histórias intensas, aprendizagens valiosas e experiências de vida que quase nos levam às lágrimas. Faz-nos viajar no tempo e acompanhar o seu crescimento, como se de uma amiga próxima se tratasse. Maya fala-nos abertamente sobre si, as suas raízes, as suas fraquezas e defeitos, as suas viagens. Fala-nos de momentos em que teve medo, de amor e, sobretudo, do papel da mulher no mundo. Maya escreve com o coração e chega até cada uma de nós de uma forma simples e muito comovente."


"Todos devemos ser Feministas", de Chimamanda Adichie

"Desde muito cedo, Chimamanda usou a sua voz para se pronunciar acerca de temas importantes como o racismo, a injustiça social e a igualdade de género (ou a falta dela). Através da sua astúcia, do seu sentido de humor e da sua capacidade de contar histórias, brindou o mundo com alguns dos mais poderosos discursos. Em 2012, a sua apresentação 'We Should All Be Feminists' ('Todos devemos ser Feministas", em português) correu o mundo e, pouco depois, transformou-se no livro com o mesmo nome. Pertinente, fluído e de leitura rápida, este livro transformou-se num marco cultural no que diz respeito à mensagem feminista e merece todo o destaque."


"A Educação de Eleonor", de Gail Honeyman

"Já se sentiram desenquadradas, como se não pertencessem a lugar nenhum? Eleanor é uma mulher adulta que, depois de uma infância conturbada e preocupante, vive os dias de forma rigorosa, com um trabalho de escritório sem grandes ambições e um horário comum, comidas pré-confecionadas (massas e pizza fria, essencialmente), longos períodos silenciosos e grandes doses de vodka ao fim-de-semana. As semanas vão passando e na vida de Eleanor não há amor, amizade ou mudança, mas ela não crê que alguma dessas coisas seja necessária - está bem como está ou, pelo menos, acredita que sim. A depressão, o bullying, a solidão, o trauma e a sensação de inutilidade andam de braço dado com o sarcasmo, o amor, a amizade e a comédia e as experiências de Eleanor são contadas de uma forma muito natural e sem aborrecimentos. É um livro para ler num fim de semana à beira mar!"


"Sadie", de Courtney Summers

"Sadie nasceu num ambiente familiar instável e passou por uma infância traumatizante, que a obrigou a amadurecer mais rápido do que as restantes crianças. Aos 19 anos, parte numa viagem pela vingança com o objetivo de encontrar o homem que abusou e assassinou a sua irmã mais nova, Mattie, de quem cuidou toda a vida. A história é contada em duas narrativas paralelas. A primeira segue a jornada de Sadie, que nos conta, na primeira pessoa, os seus pensamentos, receios e todos os passos da sua aventura para vingar a morte de Mattie. A segunda, por sua vez, é contada através do podcast de um jornalista que está a investigar o desaparecimento de uma rapariga, mas que logo se apercebe de que se trata de algo mais grave. O livro apresenta-nos uma visão diferente do lado negro da humanidade, deixando-nos incomodadas e curiosas para saber o final."


"leite&mel", de Rupi Kaur

"Inspirada pela sua experiência de vida, pelo caminho que percorreu e pelas lições que conseguiu – com mais ou menos sofrimento – aprender, Rupi chega até nós, transparente, no formato de uma coleção de poemas e prosa deliciosa e comovente. Leite e mel podem ser os ingredientes regeneradores com poderes de cura ou o espelho do que somos enquanto mulheres: agradáveis e harmoniosas, porém resistentes e corajosas. 'leite&mel' é um livro sobre ser mulher, sobre sexualidade, sobre amor e cicatrizes, sobre abuso e trauma, sobre perda. Ainda que a mensagem seja pesada, Rupi Kaur consegue abraçar-nos em cada palavra e fazer-nos sentir seguras e poderosas neste livro tão reconfortante."


"The Garden of Small Beginnings", de Abbi Waxman

"A capa de 'The Garden of Small Beginnings' remete-nos para uma leitura leve e positiva – e a verdade é que, mesmo abordando alguns temas menos positivos, este livro de Abbi Waxman acaba por ser uma lufada de ar fresco. É, sem dúvida, uma boa leitura de verão, que nos deixa com um sorriso no rosto e com vontade de experimentar algo novo. Repleto de bom humor, dicas sobre jardinagem e uma abordagem interessante para um tema pesado, é entre um início trágico e um final feliz que mensagens muito importantes são reforçadas: a importância da educação, da liberdade e da amizade, a necessidade de encontrarmos uma atividade que nos faça desligar do mundo, a certeza de que não somos mais fracas por pedirmos ajuda, a quebra de estereótipos (porque as fadas não são só para as meninas, certo?) e a certeza de que tudo melhora e ganha mais luz."


"Uma Mulher Sem Importância", de Sonia Purnell

"O livro 'Uma Mulher sem Importância' é uma biografia que não passa despercebida nas mesas e estantes das livrarias. A sua capa vermelha, associada à informação de que se trata de um livro sobre 'a espia mais procurada pela Gestapo' deixa-nos curiosas e quando vemos o nome da protagonista percebemos que, finalmente, mulheres que fizeram História estão a ter o destaque merecido. Virginia, que antes de se tornar espia tinha perdido uma perna e passou a usar uma prótese de madeira que poderia comprometer a sua identidade, estabeleceu uma vasta rede de espiões por toda a França, organizou a chegada de armas e explosivos, dinamitou pontes e libertou prisioneiros. Tudo isto com ferocidade, autonomia e a certeza de que seria capaz de tudo aquilo a que se propusesse. É uma pena não termos conhecido a história de Virginia Hall antes, pelo que esta é uma leitura que não podíamos deixar de recomendar."


"Rapariga, Mulher, Outra", de Bernardine Evaristo

"Não foi por acaso que Bernardine Evaristo ganhou o Booker Prize e os British Book Awards com esta obra. 'Rapariga, Mulher, Outra' é um retrato do mundo real, focado na sociedade britânica nos nossos dias, onde a multiculturalidade se cruza nas ruas de Londres. Neste livro, Bernardine Evaristo apresenta-nos as vidas de mulheres, maioritariamente negras e filhas de imigrantes. O livro está dividido em capítulos com os seus nomes e, em cada um deles, conhecemos a história das mulheres que os protagonizam. Questões como o racismo e o preconceito, mas também outros flagelos como a homofobia, a desigualdade de género, o abuso sexual e a violência doméstica são abordados de forma frontal e clara. Ainda que não seja o típico livro de verão, é uma chamada de atenção muito importante."


"A Piscina", de Libby Page

"Acreditamos que juntas somos mais fortes e que quando duas mulheres se unem maravilhosas coisas acontecem... E este livro retrata isto mesmo: como duas amigas, que se cruzam na vida de forma inesperada, separadas por uma diferença de idades significativa, unem forças para salvar um espaço querido da comunidade. 'A Piscina', de Libby Page, conta-nos como uma jornalista de 26 anos, infeliz e com uma vida monótona, ajuda uma idosa de 80 anos a preservar um espaço que lhe é muito especial. Esta amizade acaba por ter um impacto enorme na vida de ambas e de tantas outras pessoas e mostra-nos que nunca é tarde demais para lutarmos por aquilo em que acreditamos e pelos nossos sonhos. Esta é uma leitura leve e fluída. Perfeita para este verão."


"O Pequeno Caderno das Grandes Verdades", de Claire Pooley

"E se disséssemos sempre a verdade? Entramos nas páginas de 'O Pequeno Caderno das Grandes Verdades' com esta questão e conhecemos Julian, um homem de 79 anos que decide contar a sua verdade num caderno verde. Ao fazê-lo, sente-se mais livre e leve, pelo que acaba por deixar o caderno num café local, esperando que a pessoa que se cruzar com essas páginas faça o mesmo. Ao longo do livro, acompanhamos a história de seis desconhecidos que escolhem partilhar a sua história com o caderno e que decidem contá-la tal como é e não como a fazem parecer no seu quotidiano. 'O Pequeno Caderno das Grandes Verdades' faz-nos perceber que, por muito assustadora que seja a verdade, ficamos muito mais próximas da felicidade quando a abraçamos. Esta é uma história leve que nos surpreende, comove e diverte, sem esquecer temas importantes como as dependências, a solidão, o papel da mulher na sociedade e a pressão das redes sociais. Atrever-se-ia a entrar n’ 'O Projeto da Autenticidade'?"