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Cristina Ferreira quer que cyberbullying seja discutido no Parlamento

São já mais de 42 mil os signatários de uma petição online, lançada pela apresentadora e administradora da TVI Cristina Ferreira. Chama-se "Contra o ódio e a agressão gratuita na Internet" e tem como objetivo promover o debate e a criação de novas leis para combater o cyberbullying, que é o tema do seu mais recente livro "Pra Cima de Puta",


Na petição, lançada no domingo, Cristina Ferreira começa por fazer notar que apesar da Internet ter trazido "possibilidades extraordinárias", ainda é "um território sem lei", no qual os "discursos de ódio multiplicam-se exponencialmente". "A maldade grassa, o fel destila. A maledicência, a ignomínia e a mentira atingem níveis de tal modo avassaladores que as próprias redes sociais procuram limitar intervenções potencialmente perigosas de políticos e utilizadores com grande visibilidade", acrescenta a peticionária.


A apresentadora escreve que "os psiquiatras explicam que a inveja e o ódio estão interligados" e que na Internet "alguns tomaram liberdade de expressão como sinónimo de liberdade de agressão e usam o violentar do outro através da ofensa constante como uma – estranha – forma de expiação de frustrações pessoais". Confessa que é alvo de discursos de ódio "e de tentativas de destruição" e que, por isso, o quis mostrar no livro para dar início a um "debate imprescindível". "Debatamos o assunto, para que ele se torne também incontornável a nível político. Conto com as assinaturas de todas e todos os que sonham sempre com um Portugal Melhor. E evoluir a este nível está claramente ao nosso alcance", apela, sublinhando que "esta imensa maldade não pode subsistir e servir de escola às nossas crianças".


O livro "Pra cima de Puta", lançada há pouco mais de uma semana e que já vai na sua 3ª edição, inclui contributos do escritor e responsável pelo prefácio Valter Hugo Mãe, da jurista Dulce Rocha, da filósofa Joana Rita Sousa, do médico psiquiatra Júlio Machado Vaz, da socióloga Maria José da Silveira Núncio e do médico pedopsiquiatra Pedro Strecht. Os direitos de autor serão doados – tal como tinha feito já com o livro anterior, "Falar (Inglês) é Fácil (Contraponto, 2018)" – a entidades dedicadas a este tipo de agressões, anunciou a apresentadora.


A legislação, recorde-se, determina que para ser discutida numa comissão parlamentar uma petição tem de reunir 2500 assinaturas ou 7500 para chegar ao plenário. Em 2017, o Partido Ecologista os Verdes apresentou um projeto-lei contra o cyberbullying, onde propunha a implementação de uma agenda, com objetivos definidos, de informação e sensibilização sobre o cyberbullying, dirigida às comunidades escolares do ensino obrigatório, abrangendo designadamente alunos, pessoal docente, pessoal não docente, encarregados de educação, bem como a contratação de mais psicólogos nas escolas. No entanto, a proposta acabou por ser chumbada com votos contra do PS, PSD e CDS.