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Esta conta de Instagram partilha "tralha" que os lisboetas não querem

Precisa de dar um novo ar à sua casa, mas não está disposto a abrir os cordões à bolsa? Dos candeeiros aos sofás, sem esquecer os pechichés, Lisboa tem verdadeiros achados mesmo à mão de semear. Que o diga Francisco Villa de Brito, o nome por detrás da conta de Instagram @stoopinglisboa, onde este partilha objetos - alguns mamarrachos - largados à sua própria sorte nos contentores de lixo da cidade.


A ideia de criar a página de Instagram, que conta já com mais de 650 seguidores, surgiu durante o último confinamento, mas "já andava na minha cabeça há algum tempo". "Dei com a página @stoopingbcn e achei genial", conta o designer, de 31 anos, à hAll. "O que me acontecia era encontrar coisas pela rua que considerava terem potencial e, nessas alturas, dava por mim a pensar que não tinha onde colocá-las e, ao mesmo tempo, que alguém podia aproveitar aquilo", lembra. Mas a maior surpresa foi a comunidade que se criou: "Há muito mais pessoas como eu".


"Sou um colecionador - no sentido positivo da palavra", reconhece. Diz-se "muito atento, observador e com capacidade de ver potencial em objetos às vezes estragados ou até com mau ar". Mas não anda de contentor em contentor a acumular o lixo dos outros. Pelo contrário, confessa, "tenho algum pavor a acumulação". Aliás, "desde que comecei a página, só fiquei com um candeeiro verde esmaltado antigo".

Francisco explica que qualquer um pode enviar fotografias de objetos encontrados pelas ruas de Lisboa para que estes sejam partilhados, praticamente em tempo real, com o local e a hora. Já o processo de recolha também não podia ser mais simples: "Basta tentar a sorte e dirigir-se ao local assinalado para ver se ainda lá está". Entre tantas opções, o difícil será escolher. A última partilha foi a de uma mão gigante roxa de plástico. "E o engraçado é que muita gente me enviou mensagens sobre ela. A pessoa que ficou com ela até partilhou fotografias comigo de quando a foi buscar", diz.


Habituado a feedback positivo, o designer assume que não está nos seus planos criar contas de Instagram para outras cidades, como é feito lá fora, em Nova Iorque, Amesterdão e Madrid. "Poderia fazer sentido para outras cidades em Portugal, mas não me sinto tão à vontade, porque não conheço tão bem outros locais", mas "deixo espaço espaço para alguém que queira assumir a ideia", atira.