Crítica. "A Morte de Robin Hood" troca a aventura pela redenção
- 30 de jun.
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O filme estreou nas salas de cinema portuguesas a 18 de junho.

★★★★☆
A história do fora da lei que roubava aos ricos para dar aos pobres continua, mais de 500 anos depois, a ocupar um lugar especial na cultura popular. Em "A Morte de Robin Hood", a quarta longa-metragem de Michael Sarnoski, o realizador opta por ignorar os grandes feitos e as peripécias que moldaram a lenda. Interessa-lhe mostrar o que resta de um herói quando o fim se aproxima.
A escolha de Hugh Jackman para o papel principal pode parecer inesperada à primeira vista, mas revela-se acertada. De certa forma, "A Morte de Robin Hood" acaba por estabelecer um paralelo curioso com "Logan" (2017). Tal como aconteceu com Wolverine, Jackman volta a interpretar uma figura lendária numa fase marcada pelas cicatrizes do passado e pela consciência de que a morte está cada vez mais próxima.
O próprio título não deixa margem para dúvidas. Ainda assim, Sarnoski consegue fazer com que o espectador continue a torcer por Robin Hood. Mesmo sabendo onde a história vai terminar, é difícil não acompanhar cada passo do herói com a esperança de que consiga encontrar alguma paz antes do destino inevitável.
Mas este Robin Hood está longe da imagem que o cinema e a literatura popularizaram ao longo de décadas. Pelo contrário, vemos um homem assombrado pelas escolhas que fez. Sarnoski procura retirar Robin Hood do pedestal e apresenta-o como um homem comum, confrontado com os erros do passado e com a proximidade da morte.
A narrativa centra-se, sobretudo, na procura de redenção. Depois de ajudar o antigo companheiro Little John, interpretado por Bill Skarsgård, a recuperar a sua casa, Robin Hood fica gravemente ferido e é enviado para uma ilha remota. A partir desse momento, o filme assume um ritmo mais contemplativo, acompanhando a tentativa do protagonista de fazer as pazes consigo próprio e com o legado que deixará para trás. Ao longo da história, vemos um homem que compreende que já não pode mudar o passado, mas que ainda procura influenciar o futuro e deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrou.
"A Morte de Robin Hood" não mostra a versão da personagem que todos esperam encontrar, mas é precisamente essa abordagem mais sombria e introspectiva que torna este filme interessante.
Veja o trailer abaixo:




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