Crítica. "Primata" prova que, por vezes, a ideia é melhor do que a execução
- Ana Rita Rebelo
- há 5 dias
- 2 min de leitura
Primata chegou aos cinemas portugueses a 22 de janeiro.

★★★☆☆
Em "Primata", o perigo não explica as suas motivações. Não há máscara nem trauma elaborado. Há apenas instinto, imprevisível e impossível de negociar. E é precisamente essa ausência de lógica humana que torna este vilão mais desconfortável do que muitos dos clássicos.
Johannes Roberts, realizador veterano do género, regressa a um território que domina. A premissa é simples e quase banal. Lucy (Johnny Sequoyah) regressa a casa após o primeiro semestre na universidade e reencontra Ben, o chimpanzé que sempre fez parte da família. A normalidade, porém, dura pouco. Um vírus transforma o animal dócil numa ameaça violenta, e aquilo que parecia um regresso como todos os outros converte-se num pesadelo sem fim à vista.
Ben não mata por vingança, trauma ou loucura. Não é um Michael Myers ou um Freddy Krueger. Mata porque o instinto fala mais alto. E é quando cai por terra a fantasia de que a natureza obedece que "Primata" se torna verdadeiramente perturbador.
Com uma duração contida, o filme não se dispersa. Quando decide acelerar, fá-lo com eficácia e sem recorrer em excesso ao jump scare. A tensão constrói-se e o uso de efeitos práticos acrescenta uma fisicalidade rara num género cada vez mais dependente do digital.
Ainda assim, o filme nunca vai além do que promete. A estrutura é familiar: um grupo de jovens encurralado, decisões erradas, o tempo como inimigo. A substituição do assassino humano por um animal introduz uma camada de originalidade, mas não chega para reinventar a fórmula. Não é um filme destinado a prémios e talvez nem precise de o ser. É um filme consciente das suas limitações, eficaz dentro do seu território e honesto naquilo que oferece. Para os fãs de terror, cumpre.
Assista ao trailer abaixo:




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