Esta fragrância portuguesa cheira a chá, caxemira e a uma memória impossível de esquecer
- 13 de mai.
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Um café no Upper East Side, páginas da New Yorker e uma camisola de caxemira amarela deram origem à nova fragrância da Next Memory Atelier.

E se uma fragrância conseguisse guardar a sensação exata de uma memória feliz? Foi precisamente dessa ideia que nasceu Engram, a nova criação da marca portuguesa Next Memory Atelier, desenvolvida em parceria com a farmacêutica Joana Nobre.
Tudo começou numa pausa aparentemente simples no Café Sabarsky, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. "Gosto de fazer uma pausa neste café tão bonito para ler a New Yorker ao som de boa música, comer um Kaiserschmarrn e tomar chá. Sempre sem pressa. Foi exatamente num dia assim que nasceu a inspiração para o Engram", conta Joana Nobre, especialista em ciências cosmetológicas e também CEO da Crème de la Crème, à hAll.
Todos os detalhes desse dia acabariam por entrar na composição da fragrância. "As notas de topo - bergamota, laranja e açafrão - vêm da panqueca desconstruída e do chá. As notas de base - oud, labdanum e patchouli - do mobiliário, das telas nas paredes, da envolvência das páginas escritas." Mas há um detalhe ainda mais íntimo escondido na fórmula: "As notas mais inusitadas são as de couro e lírio-do-vale: a minha interpretação de uma camisola de caxemira amarela usada pelo meu marido, que me acompanhou durante esse dia".
O significado de "Engram" explicado pela neurociência
O próprio nome da fragrância ajuda a perceber o conceito. Na neurociência, "engram" refere-se ao vestígio físico deixado pela memória no cérebro. Com isso em mente, a Next Memory pegou nessa ideia e transformou-a numa narrativa olfativa. "O conceito de Engram parte da ideia de que aquilo que permanece não é uma memória em si, mas o seu vestígio, uma impressão silenciosa que continua connosco", explica Dennis de Vries, diretor criativo da marca.
Segundo o próprio, esta fragrância foi desenvolvida para funcionar quase como uma emoção progressiva. "Há uma entrada mais luminosa e imediata, quase como o instante vívido, que depois se transforma em algo mais envolvente e íntimo. Por fim, permanece uma base suave e persistente, como aquilo que fica depois de tudo desaparecer." O resultado? "Diria que é uma presença subtil. Não é um perfume que se impõe, mas que se vai revelando aos poucos. Tem algo de familiar, quase íntimo, como uma sensação que não conseguimos nomear totalmente, mas que registamos", resume.
Desde a fragrância à identidade visual criada pelo artista português Braulio Amado, nomeado para os Grammys 2025, tudo neste perfume foi pensado para funcionar como prolongamento da memória da farmacêutica. O amarelo tornou-se dominante na estética da coleção por causa dos interiores do Café Sabarsky e da camisola de caxemira mencionada por Joana Nobre. "A sinestesia foi imediata", diz.

"Procurei materializar a minha memória deste dia numa emoção acolhedora, serena, mas vibrante ao mesmo tempo", acrescenta ainda. "Não creio que seja um aroma 'difícil', mas tem, sem dúvida, muitas camadas boas para descobrir."
O perfume acabou por provocar reações inesperadas ainda durante o desenvolvimento. Um amigo próximo de Joana Nobre, o músico nova-iorquino Justin Strauss, experimentou uma das primeiras amostras e escreveu um poema inspirado pelo aroma: "Like day into night, like dark into light, like meeting an old friend, but feels like the very first time" ("Como o dia a transformar-se em noite, como a escuridão a dar lugar à luz, como reencontrar um velho amigo, mas sentir que é a primeira vez", em português).
Para a equipa da Next Memory, Engram representa também uma evolução daquilo que a marca portuguesa tem vindo a construir no universo da perfumaria de autor. "É talvez uma das expressões mais puras daquilo que procuramos fazer: criar perfumes que não sejam apenas objetos, mas experiências que habitam quem os usa", afirma Dennis de Vries.
Enagram está disponível em eua de parfum, perfume sólido e vela perfumada. Espreite abaixo:







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