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114 anos depois, a história repete-se. Guerlain volta a inspirar-se na hora azul e este é o resultado

há 5 dias
4 min de leitura

Mais de um século depois de Jacques Guerlain se deixar fascinar pela luz do entardecer em Paris, a marca francesa recupera essa inspiração numa nova fragrância.



Há um momento do dia em que o céu deixa de ser azul-claro, mas ainda não escureceu por completo. É a chamada hora azul, que há mais de um século inspirou um dos perfumes históricos da Guerlain. Agora, esse mesmo fenómeno dá origem a uma nova criação, que acaba de chegar ao Colombo, em Lisboa.


Depois de passar pelo CascaiShopping, a marca francesa instalou-se no centro comercial lisboeta, onde permanece até 22 de outubro. A pop-up assinala o lançamento de L’Heure Bleue, uma fragrância feminina assinada por Delphine Jelk, diretora de criação de perfumes da Guerlain, e propõe várias experiências de personalização.


Entre as propostas estão a gravação e a pintura de frascos, pela mão da artista Carolina Geadas. Há ainda oferta de pregadeiras com charms, bouquets na compra de um perfume e postais acompanhados por amostras. A iniciativa segue depois para o NorteShopping, entre 28 de outubro e 5 de novembro.


Mas, para conhecer a história por detrás da fragrância, é preciso recuar até uma noite de verão de 1912, em Paris. Jacques Guerlain atravessava a Pont-Neuf quando ficou impressionado com a luz do entardecer, que parecia unir o rio Sena e o céu na mesma tonalidade azul. Foi aí que decidiu traduzir essa imagem num perfume. Assim nascia L’Heure Bleue, uma das criações que viriam a marcar a história da casa francesa.


Mais de um século depois, Delphine Jelk recuperou essa inspiração. Contudo, a fragrância original continua disponível, sem alterações, na coleção Les Légendaires.


"Quis capturar a hora azul com a mesma ternura de L’Heure Bleue de Jacques Guerlain, criada em 1912. É um perfume que nos envolve através de um aroma poderoso, mas simultaneamente suave e íntimo", afirma Delphine Jelk, citada em comunicado. A nova criação procura traduzir aquele breve instante de transição entre o dia e a noite, associado pela Guerlain à liberdade, à imaginação e à possibilidade de começar algo novo. Além disso, "enquanto mulher, quis expressar a feminilidade tal como a vejo: uma combinação de ternura e força. Autenticidade e poesia. Uma feminilidade que aproveita todas as oportunidades", explica a perfumista.


O que distingue a nova fragrância?


A composição abre com um acorde ozónico fresco, que evoca a descida da temperatura quando o sol desaparece no horizonte. Segue-se um coração floral de íris e flor de laranjeira.


A íris surge sob duas formas. A manteiga de íris confere riqueza e uma textura aveludada, enquanto uma tintura exclusiva, desenvolvida ao longo de três anos de investigação, revela uma faceta mais fresca e leve do ingrediente.


Para criá-la, Delphine Jelk recuperou uma técnica tradicional da Guerlain, baseada na maceração de matérias-primas naturais em álcool para extrair os seus aromas. E há uma curiosidade: ao contrário do que se poderia imaginar, não é das pétalas da íris que se extrai o aroma, mas dos rizomas, a parte subterrânea da planta, que precisa de vários anos para amadurecer. Para esta fragrância, foram selecionados rizomas em Itália, posteriormente trabalhados em colaboração com as equipas da fábrica da Guerlain em Orphin, França.


E desengane-se se julga que este ingrediente foi escolhido ao acaso. A íris integra a Guerlinade, assinatura olfativa histórica da casa francesa, e esteve também no centro da composição de Jacques Guerlain em 1912.


Durante a apresentação da fragrância, no centro comercial Colombo, Joana Nobre, farmacêutica e consultora na área da cosmética, explicou que a combinação da manteiga de íris com a nova tintura permite manter um aroma familiar aos conhecedores da Guerlain, mas "mais jovem e fresco".


A flor de laranjeira acrescenta luminosidade e suavidade ao perfume, enquanto, na base, a baunilha, outro ingrediente emblemático da marca, se junta ao Ambroxan. Esta molécula, cujo aroma remete para o da própria pele, contribui também para a fixação da fragrância, como destacou Joana Nobre.


Um frasco com mais de 100 anos de história


A homenagem ao passado estende-se ao frasco, que recupera a silhueta do célebre modelo de coração invertido, criado em 1912 para a composição original. Desenhado por Georges Chevalier, designer da cristaleria francesa Baccarat, tornou-se um dos símbolos da Guerlain. A designação deve-se à forma particular da tampa, que mostra um coração invertido.


Na versão de 2026, o vidro apresenta uma gradação de azuis inspirada nas tonalidades do céu ao amanhecer e ao anoitecer. As letras douradas, os detalhes no gargalo e a base facetada completam o desenho.


L’Heure Bleue está disponível em três formatos, de 30 mililitros (86€), 50 mililitros (122€) e 100 mililitros (169€). Existe ainda uma recarga de 200 mililitros, por 204 euros.


Para assinalar o lançamento, a Guerlain criou também uma edição de 1,5 litros, produzida pelo mestre vidreiro francês Waltersperger. O frasco gigante, decorado com um anel em pele italiana, custa 4.900 euros.


Do perfume à maquilhagem


O lançamento estende-se a outros produtos da marca, entre os quais um sabonete perfumado para mãos e corpo, enriquecido com manteiga de karité e inspirado na forma do coração invertido. Tem 120 gramas e custa 39 euros.

  • 39€
  • 38€
  • 38€
  • 38€

A coleção inclui ainda três estojos Rouge G de edição limitada, nos tons azuis e dourados associados a L’Heure Bleue. Cada estojo custa 38 euros e pode ser combinado com os batons Rouge G, disponíveis em 24 tons acetinados e 23 tons mate, por 42 euros.


A campanha de lançamento regressa à Pont-Neuf, em Paris, onde nasceu a inspiração de Jacques Guerlain. Realizado por Camille Summers-Valli e protagonizado pela modelo Abby Champion, o filme publicitário combina imagens reais com ilustrações de Laura Aquaviva, num universo visual marcado pela íris, pelas referências à pintura impressionista e pelas tonalidades azuis. A banda sonora recupera "Say It Ain’t So, Joe", de Murray Head, numa versão reescrita pelo próprio artista e reorquestrada por Sebastian.



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