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Crítica. "Mata-te, amor" não deixa ninguém ileso

  • Foto do escritor: Ana Rita Rebelo
    Ana Rita Rebelo
  • 15 de jan.
  • 2 min de leitura

O mais recente filme de Lynne Ramsay chega às salas portuguesas esta quinta-feira, a 15 de janeiro.



★★★★☆


O realismo no cinema raramente é tão simples quanto parece. "Mata-te, amor", a quinta longa-metragem de Lynne Ramsay, aproxima-se e bem desse território sem soar a encenação, num retrato cru de um casal em implosão.


O que surge como promessa de recomeço depressa se transforma num espaço de clausura. Entre a maternidade recente, o isolamento e a ausência emocional do companheiro, Grace entra numa espiral de colapso emocional que compromete o casamento e a sua própria perceção da realidade.


Jennifer Lawrence regressa a um território que já lhe é familiar desde "Mãe!" (2017), mas fá-lo aqui com um controlo e uma entrega ainda mais desconcertantes. À medida que a crise da personagem se intensifica, o filme constrói uma tensão crescente, até ao ponto em que nem Grace nem o espetador conseguem distinguir o que é vivido do que é imaginado. A nomeação para o Globo de Ouro não surge por acaso: é uma performance difícil de esquecer.


Robert Pattinson opta por um registo mais contido. Não é um antagonista clássico, mas é talvez a presença mais incómoda do filme. Representa alguém que ama, mas não consegue - ou não sabe - estar verdadeiramente presente.


Lynne Ramsay aproxima o espetador da mente da protagonista. Mesmo quando o filme parece exagerar ou roçar o absurdo, tudo faz sentido dentro da sua própria lógica e intensifica a sensação de colapso iminente.


Com estreia marcada para esta quinta-feira, 15 de janeiro, é um daqueles que não se vê para sair ileso. Não é um filme fácil, nem pretende sê-lo. Mas é precisamente nessa recusa de suavizar a experiência que reside a sua força. "Mata-te, amor" limita-se a expor, com uma honestidade quase desconfortável, um processo de destruição que se sente perigosamente próximo.

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