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Crítica. Os criadores de "Coraline" estão de volta. Já vimos "Floresta Mágica" e temos veredicto

há 3 horas
2 min de leitura

Realizado por Travis Knight, o novo filme da LAIKA estreou a 29 de outubro nas salas portuguesas.



★★★★☆


A LAIKA habituou-nos a mundos onde a fantasia nem sempre é sinónimo de inocência. Foi assim com "Coraline e a Porta Secreta" (2009) e volta a ser assim com "Floresta Mágica", uma aventura que combina personagens improváveis, perigos inesperados e uma extraordinária atenção ao detalhe.


Com 131 minutos de duração, o filme apresenta-se como o mais longo alguma vez realizado em stop-motion. Este ambicioso projeto foi entregue a Travis Knight, realizador de "Kubo e as Duas Cordas" e veterano da animação, com experiência em produções como "ParaNorman" (2012), "Os Monstros das Caixas" (2014) e "Missing Link" (2019).


A história acompanha Prue McKeel, uma adolescente que, depois de desobedecer aos pais e levar o irmão bebé a passear, vê o que parecia ser uma saída inofensiva transformar-se num pesadelo. Um bando de corvos surge inesperadamente, rapta a criança e leva-a para uma floresta misteriosa nos arredores de Portland, no Oregon. Determinada a recuperar o irmão, Prue aventura-se por um território onde ninguém se atreve a entrar, mas rapidamente percebe que entre as árvores escondem-se animais falantes, figuras enigmáticas e perigos que vão muito além do que poderia imaginar.


"Floresta Mágica" tem algo que falta a muitas produções de animação: confiança na inteligência do público. Apesar de ser uma aventura destinada também aos mais novos, não simplifica os conflitos ou tenta transformar cada momento difícil numa lição de moral. Há temas sensíveis, violência, sangue e até morte, mas nada disso retira encanto à história. Pelo contrário.


Mas se a história conquista pela forma como combina fantasia e perigo, é na animação que "Floresta Mágica" nos deslumbra. O cuidado com cada pormenor é impressionante, desde as ruas de Portland até aos cenários da floresta e às criaturas que a habitam. Tudo revela um trabalho minucioso e há tantos detalhes para descobrir que, por vezes, é difícil saber para onde olhar.


Por detrás deste universo estão 49 animadores, 233 marionetas e 136 cenários físicos, num processo de animação que se prolongou por mais de quatro anos. Um trabalho de enorme exigência técnica, cujo resultado vai muito além do impacto visual. Em "Floresta Mágica", cada cenário, personagem e detalhe ajuda a dar identidade a um mundo fantástico que, apesar de inteiramente construído à mão, parece ter vida própria.


A comparação com clássicos como "O Estranho Mundo de Jack" (1993), "Fantastic Mr. Fox" (2009) ou "Wallace & Gromit: A Maldição do Coelhomem" (2005) é inevitável. Entre a beleza dos cenários, o lado sombrio da narrativa e a coragem de não infantilizar quem está a assistir, a LAIKA presenteia-nos com uma aventura que merece ser descoberta por miúdos e graúdos.


Assista ao trailer abaixo:



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