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Crítica. "A Queda da Baleia": o verdadeiro peso desta história não está no tamanho do cachalote

16 de out.
2 min de leitura

Uma hora de oxigénio, um cachalote e demasiadas memórias por resolver. O novo thriller de Brian Duffield estreou a 15 de outubro nas salas de cinema portuguesas.



★★★☆☆


Ser engolido por uma baleia não será, certamente, a primeira coisa que nos vem à cabeça quando pensamos em resolver assuntos familiares pendentes, mas é essa a situação em que Jay Gardiner (Austin Abrams) se vê envolvido em "A Queda da Baleia", de Brian Duffield. E, por mais improvável que pareça, é no interior de um cachalote gigante que uma relação difícil entre pai e filho acaba por ganhar uma nova dimensão.


Tudo começa com um mergulho nas águas frias da Califórnia, onde Jay procura os restos mortais do pai (Josh Brolin), com quem manteve uma relação difícil. A missão corre mal e, à semelhança de "Pinóquio", acaba engolido por um cachalote gigante. Só que aqui não há soluções mágicas. Com apenas uma hora de oxigénio, terá de encontrar uma saída antes que seja demasiado tarde.


Brian Duffield constrói um filme deliberadamente claustrofóbico, mas não se limita ao desconforto de ver alguém preso no interior de um animal. Através de sucessivos flashbacks, acompanhamos a infância de Jay e os conflitos com o pai, enquanto as lições que recebeu começam a revelar-se essenciais para a sua sobrevivência.


É na alternância entre o presente e o passado que Duffield faz a sua escolha mais interessante. As recordações para explicar a relação entre Jay e o pai acabam por interferir diretamente na forma como o protagonista enfrenta o perigo. E há até uma ironia que funciona particularmente bem. Depois de tantos desentendimentos, são os ensinamentos paternos que podem salvar-lhe a vida.


Porém, o filme nem sempre tira o melhor partido da sua premissa. Apesar da contagem decrescente, há sequências que se prolongam demasiado e fazem perder alguma daquela tensão inicial. A sensação de urgência, tão importante num thriller de sobrevivência, acaba por ficar comprometida por um ritmo irregular. Com menos alguns minutos, a experiência teria sido mais intensa.


Ainda assim, há mérito na forma como Brian Duffield evita transformar esta história numa reconciliação sentimental. A relação entre pai e filho mantém as suas contradições, mesmo quando as memórias começam a ganhar outro significado. Ou seja, não procura desculpar os conflitos nem oferecer respostas fáceis.


"A Queda da Baleia" podia ser mais curto e mais tenso, mas consegue fazer algo que não esperávamos de um filme sobre um homem engolido por um cachalote: levar-nos a pensar na forma como as relações familiares nos marcam, mesmo as mais difíceis.


Eis o trailer abaixo:



 
 
 

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