Crítica. Fomos para a primeira fila ver os Capitão Fausto. Desta vez, com pipocas
"Casa Pequena" chegou aos cinemas a 5 de novembro e marca a estreia dos cinco elementos da banda como atores.

★★★★☆
2026 começou em grande para os Capitão Fausto, com aquele que foi, até então, o maior concerto da carreira da banda, na Altice Arena, em Lisboa. Agora, com o final do ano a aproximar-se, o grupo de Alvalade aventura-se por um território diferente. Desta vez, não há um palco nem milhares de pessoas a cantar em uníssono, mas uma câmara e um argumento. "Casa Pequena", que chegou aos cinemas a 5 de novembro, assinala a estreia dos cinco músicos numa longa-metragem de ficção.
Dois anos depois do lançamento de "Subida Infinita", os Capitão Fausto levam para o grande ecrã uma história inventada, mas com muita verdade à mistura. O filme, que demorou oito anos a ganhar forma, é realizado por Ricardo Oliveira, colaborador de longa data do grupo e responsável por trabalhos como o documentário "Pontas Soltas" e o filme-concerto "Sol Posto".
A história leva-nos até à Serra da Estrela, onde os cinco amigos se refugiam numa casa isolada para preparar um novo álbum. A ideia é recuperar a inspiração e, pelo caminho, uma cumplicidade que parece ter sido beliscada. Só que a estadia acaba por tomar um rumo inesperado quando surge o misterioso anfitrião da casa. O resultado é uma história que cruza humor, drama e intriga, sem perder de vista as relações entre os protagonistas.
E são precisamente eles uma das surpresas mais agradáveis de "Casa Pequena". Tomás Wallenstein, Francisco Ferreira, Manuel Palha, Salvador Seabra e Domingos Coimbra interpretam versões ficcionadas de si próprios e, apesar de não serem atores profissionais, surpreendem pela naturalidade. Afinal, quem melhor para interpretar os Capitão Fausto do que os próprios?
Mas a participação da banda não se fica pela representação. Como não poderia deixar de ser, a música também tem um papel importante, com uma banda sonora original inteiramente composta pelos cinco músicos. Algumas das ideias remontam ao período de criação de "Subida Infinita", reforçando a ligação entre o álbum e o filme, embora cada um siga o seu próprio caminho.
Há ainda outro elemento que merece destaque: a Serra da Estrela. Alguns dos cenários já eram familiares a quem conhece a capa de "Subida Infinita", mas vê-los no grande ecrã é outra experiência. Entre montanhas e paisagens naturais, há imagens que parecem autênticos postais da região.
No final, "Casa Pequena" acaba por ser uma história que parte do universo da banda, mas que tem muito mais para oferecer do que música. E o melhor é que não é preciso conhecer a sua discografia, nem sequer ser fã, para desfrutar do filme. Bastam 95 minutos e alguma curiosidade para descobrir o que acontece quando cinco músicos trocam os palcos por uma casa isolada na Serra da Estrela. O resto é melhor deixar que o cinema conte.
Assista ao trailer abaixo:




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