Crítica. "Coyote vs. Acme": depois de tantos anos, o Coyote quer justiça
O filme chegou aos cinemas portugueses a 27 de agosto, depois de uma longa espera.

★★★★☆
"Coyote vs. Acme" era um dos filmes mais aguardados de 2026. Curiosamente, não apenas por representar o regresso dos adorados Looney Tunes ao grande ecrã - embora isso, por si só, já fosse motivo suficiente para muitos. Concluído em 2023, passou três anos numa espécie de limbo depois de a Warner Bros. ter decidido não o lançar. Foi então que a Ketchup Entertainment adquiriu os direitos e resgatou-o para as salas de cinema.
Dirigido por Dave Green, o filme pega numa das personagens mais maltratadas da história da animação. Durante décadas, Wile E. Coyote tentou, sem sucesso, apanhar o seu eterno inimigo, Bip-Bip, recorrendo a tudo o que a ACME tinha para vender. Bombas, dinamite, foguetes, molas, ímanes ou qualquer outra engenhoca. O problema é que, invariavelmente, tudo acabava mal. Muito mal.
Desta vez, o Coyote parece ter finalmente percebido que talvez a culpa não seja inteiramente sua. E se todas aquelas armadilhas falharam porque os produtos eram, simplesmente, uma desgraça? A resposta passa por levar a ACME a tribunal, numa ideia tão absurda que só poderia funcionar num filme sobre o Coyote.
Para ajudar surge Kevin Avery, interpretado por Will Forte, um advogado que parece ter encontrado o equilíbrio perfeito entre uma carreira sem grandes ambições e uma existência sem problemas. O que começa como mais um processo acaba por ganhar proporções nacionais e coloca Avery frente a frente com Buddy Crane, o advogado interpretado por John Cena, numa batalha judicial em que a ACME terá de responder pelos estragos que ajudou a causar.
Will Forte encontra em Kevin Avery uma personagem suficientemente desajeitada e humana para funcionar como contraponto ao caos do Coyote. Lana Condor, como Paige Avery, dá à história uma energia diferente, enquanto John Cena se diverte com a oportunidade de representar o homem que está do outro lado da barricada. Nenhum deles parece estar ali apenas para preencher o espaço entre duas aparições dos Looney Tunes. E isso faz diferença.
O mesmo acontece com as personagens animadas. O Coyote continua a ser o Coyote - persistente, azarado e incapaz de reconhecer que talvez o plano seguinte não seja assim tão brilhante -, mas não está sozinho. Várias figuras do universo Looney Tunes aparecem ao longo do filme, algumas imediatamente reconhecíveis, e há um cuidado evidente em recuperar esse universo sem o transformar numa sucessão de aparições para provocar nostalgia.
A história tem vida para além da nostalgia e, ao mesmo tempo, sabe brincar com a memória de quem conhece aquelas personagens há décadas. "Coyote vs. Acme" é uma comédia divertida, inventiva na forma como cruza dois mundos aparentemente incompatíveis e suficientemente respeitosa com os Looney Tunes para perceber que, por vezes, a melhor maneira de homenagear uma personagem é simplesmente deixá-la ser aquilo que sempre foi.
Veja o trailer abaixo:




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