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Crítica. Fomos ver "PLAYBACK" e nunca Carlos Paião pareceu tão presente

  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

"Playback" estreia nos cinemas a 6 de agosto, com distribuição da NOS Audiovisuais.



★★★★☆


Há artistas que continuam presentes muito depois de partirem e Carlos Paião é um deles. Apesar de ter morrido aos 30 anos, deixou um repertório que continua a atravessar gerações, com canções como "Playback", "Cinderela" ou "Pó de Arroz" a fazerem parte da memória coletiva dos portugueses. E é desse legado que parte "Playback", a nova longa-metragem de Sérgio Graciano, que chega aos cinemas a 6 de agosto.


Mais do que um retrato biográfico, "Playback" entra no universo criativo de Carlos Paião. O filme acompanha-o numa fase em que o artista dividia os dias entre o curso de medicina e a vontade de seguir a música, explorando o conflito entre a estabilidade de uma profissão segura e o risco de perseguir um sonho. O filme mostra o homem por detrás do artista. Criativo, inquieto, bem-humorado e movido por uma imaginação quase difícil de acompanhar.


O grande trunfo do filme é Rafael Ferreira. A semelhança física entre o ator e Carlos Paião é notável, mas é a voz, a postura, os gestos, a forma de sorrir e até a energia contagiante que fazem esquecer que se trata de uma interpretação. Rafael Ferreira consegue captar a essência de Paião sem cair na imitação.


Naturalmente, a música ocupa um lugar central no filme. Os grandes êxitos surgem integrados na narrativa e ajudam a reconstruir a atmosfera dos anos 80 sem parecerem meros momentos de nostalgia. Entre eles, destaca-se "Pó de Arroz", numa sequência filmada em plano contínuo e que é, de resto, um dos momentos mais inspirados de todo o filme, tanto pela encenação como pela energia que transmite.


Sérgio Graciano opta por uma realização clássica, colocando sempre a história e as personagens acima do espetáculo visual. Os fãs de Carlos Paião sairão da sala de cinema com um inevitável sentimento de nostalgia. Já quem pouco ou nada conhece da sua história encontrará um retrato sensível de um artista cuja criatividade marcou para sempre a música portuguesa. É um filme que merece ser visto.


Veja o trailer:



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