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Crítica. "Nuremberga" é tão desconcertante quanto necessário

  • Foto do escritor: Ana Rita Rebelo
    Ana Rita Rebelo
  • 17 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

O novo filme de James Vanderbilt estreou a 4 de dezembro nos cinemas portugueses e transportou-nos até um território raramente explorado pela sétima arte: o pós-guerra imediato.



★★★★☆


Em 1945, com o fim da Segunda Guerra Mundial, o mundo confrontou-se com uma decisão inédita: como julgar o mal sem se tornar igual a ele. Optou-se, assim, pela justiça dos tribunais e nasceram os Julgamentos de Nuremberga, criados pelos Aliados para julgar os crimes nazis. Oito décadas depois, "Nuremberga", do veterano James Vanderbilt, chega às salas de cinema para revisitar esse momento histórico - com uma atualidade tão incómoda quanto desconcertante e pertinente.


"O Resgate do Soldado Ryan", "Dunkirk" e "Sacanas sem Lei" são exemplos de como a sétima arte nunca deixou de regressar a este conflito. Mas fê-lo, na maioria das vezes, privilegiando o estrondo das armas e a heroicidade forjada no caos. Raramente se deteve no que se seguiu. No pós-guerra imediato onde as ruínas eram também morais e onde a pergunta já não era quem venceu, mas como julgar o que tinha sido feito.


A narrativa divide-se em dois eixos completares. O primeiro debruça-se sobre o nascimento do julgamento. Michael Shannon interpreta Robert H. Jackson, juiz do Supremo Tribunal norte-americano e "arquiteto" de um tribunal que ainda não existia sequer como conceito.


O filme estrutura-se em dois eixos narrativos complementares. Por um lado, acompanha a criação do próprio julgamento:  um acontecimento-chave da história do século XX. Michael Shannon interpreta Robert H. Jackson, juiz do Supremo Tribunal dos Estados Unidos e principal arquiteto do tribunal internacional. Aquilo que hoje parece um percurso lógico foi, na época, um caminho árduo, condicionado por burocracia, negociações diplomáticas complexas e por forte resistência institucional. Foi a obstinação de Jackson que evitou que a ideia se perdesse antes sequer de existir.


Porém, para que o julgamento pudesse avançar, foi necessário provar que os líderes nazis estavam mentalmente aptos para responder pelos seus crimes. É neste contexto que surge Douglas Kelley, psicólogo do exército norte-americano, desempenhado por Rami Malek. O seu contacto direto com os prisioneiros acaba por tornar-se o verdadeiro coração do filme, em particular na relação que estabelece com o carismático Hermann Göring. É precisamente, ao vê-lo a comportar-se desta forma, o espetador é confrontado com uma ideia difícil de aceitar: o mal nem sempre grita. Muitas vezes, fala baixo e conversa educadamente. O duelo psicológico entre Crowe e Malek é tão fascinante quanto profundamente arrepiante.


"Nuremberga" não é apenas um filme para entusiastas de história. É um exercício de memória e um espelho inquietante do presente, que humaniza sem absolver e explica sem justificar.


Assista ao trailer abaixo:



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