Crítica. Não se deixe enganar: "Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te um Pontapé" é tudo menos cómico
- 11 de mar.
- 2 min de leitura
O novo filme da realizadora Mary Bronstein é protagonizado por Rose Byrne, vencedora de um Globo de Ouro e nomeada para o Óscar de Melhor Atriz.

★★★★☆
O título pode soar quase cómico, mas o filme "Se eu tivesse pernas, dava-te um pontapé", de Mary Bronstein, está longe de ser leve. Trocadilhos à parte, é um "pontapé" particularmente forte em temas como ansiedade, depressão e esgotamento emocional.
Bronstein regressa à realização de longas-metragens pela primeira vez desde Yeast (2008) com uma história que acompanha Linda, uma terapeuta interpretada por Rose Byrne, cuja vida começa lentamente a desmoronar-se. A filha desenvolve uma doença misteriosa, o marido está ausente durante grande parte do tempo e um buraco no telhado obriga-a a abandonar temporariamente a própria casa.
Não há um "antes" perfeito. Entramos diretamente no meio da confusão, quase como se fôssemos atirados para dentro da cabeça de Linda. Sentimos o cansaço, a frustração e a sensação de perda de controlo ao longo de toda o filme. É precisamente nessa imperfeição que a personagem se torna tão credível.
Já o elenco secundário acrescenta momentos curiosos à narrativa. Conan O'Brien surge como o psicólogo de Linda, enquanto A$AP Rocky interpreta o funcionário do motel onde a protagonista acaba por ficar hospedada. Entre os dois desenvolve-se, pouco a pouco, uma amizade improvável.
Mais do que um filme sobre a doença de uma filha, é um retrato duro de uma mulher que tenta manter-se de pé enquanto tudo à sua volta parece ruir e que luta constantemente para não chegar a um breaking point.
O filme estrou nas salas de cinema portuguesas a 19 de fevereiro e é uma das primeiras surpresas fortes da sétima arte em 2026.
Assista ao trailer abaixo:




Comentários