Falámos com Sissi Freeman, a mulher por detrás do sucesso da Granado
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Entre fragrâncias com história e uma pop-up inspirada na Amazónia, a Granado conquista um público cada vez mais fiel em Portugal, como revela Sissi Freeman, diretora de Marketing da marca, à hAll.

A Granado continua a ganhar terreno em Lisboa e a nova pop-up no El Corte Inglés é prova disso mesmo. Inspirado na Amazónia, o espaço foi pensado para dar a conhecer o universo da marca de forma mais próxima e sensorial.
Fundada em 1870 no Rio de Janeiro, a Granado começou como uma botica de produtos naturais e hoje afirma-se como uma marca global de perfumaria. Pelo caminho, tem vindo a conquistar também os portugueses, com fragrâncias que combinam história, memória e identidade.
À frente desta estratégia está Sissi Freeman, diretora de marketing e membro da família que lidera a marca. Em entrevista à hAll, a empresária reflete sobre o crescimento da Granado em Portugal, a importância de honrar o passado e a necessidade de continuar a reinventar a marca.
A Granado inaugurou recentemente uma pop-up no El Corte Inglés de Lisboa. Que papel desempenha este formato de loja na estratégia da marca em Portugal?
As pop-ups são uma forma muito interessante de apresentar a Granado a novos públicos e de testar formatos e localizações estratégicas. Em mercados internacionais, gostamos de crescer de forma cuidadosa, entendendo primeiro como os consumidores se relacionam com a marca e com os produtos.
Num espaço como o El Corte Inglés, conseguimos criar mais um meio de contacto com a Granado e contar a nossa história, algo que é essencial quando entramos num novo mercado. Para quem visita, é uma oportunidade de descobrir o universo da marca.
Desde a abertura da loja no Chiado, a marca tem vindo a conquistar um público cada vez mais fiel em Portugal. Que características do consumidor português mais a surpreenderam?
O consumidor português tem uma relação muito especial com a história e com a autenticidade da marca. Isso é algo que sentimos desde o início. Existe uma curiosidade genuína pela origem dos produtos, pelos ingredientes e pela tradição que está por trás da marca.
Além disso, acredito que há uma identificação natural com a Granado, também pela ligação histórica entre Brasil e Portugal. Muitos clientes reconhecem elementos culturais e estéticos que lhes são familiares, e isso cria uma ligação emocional muito forte.
Que papel tem o país na estratégia internacional da Granado, tendo em conta também a ligação histórica da marca ao país?
Portugal tem um papel muito simbólico e estratégico para nós. A própria Granado foi fundada por um português, José Coxito Granado, que chegou ao Rio de Janeiro no século XIX. Portanto, existe uma ligação muito forte entre os dois países.
Ao mesmo tempo, Portugal funciona também como uma porta de entrada importante para a Europa. É um mercado sofisticado, com consumidores atentos à qualidade e à história das marcas, o que combina muito bem com o posicionamento da Granado.
Existem planos para reforçar ainda mais a presença da Granado em Portugal ou noutros mercados europeus nos próximos anos?
A internacionalização tem sido um processo gradual e muito pensado. Preferimos crescer com consistência, garantindo que cada mercado compreende a essência da marca antes de avançarmos para novos passos.
Na Europa, temos tido uma receção muito positiva e, naturalmente, queremos continuar a expandir a presença da Granado em cidades estratégicas e em parceiros de prestígio. O nosso objetivo é consolidar a marca como uma referência de perfumaria e bem-estar com identidade brasileira.
Como é que a Granado equilibra a sua forte herança com a necessidade constante de inovação?
Esse equilíbrio é exatamente um dos pilares da Granado. Temos uma história muito rica e ela serve como fonte constante de inspiração. Ao mesmo tempo, não queremos ser vistos como uma marca antiga ou presa ao passado.
O nosso trabalho é respeitar essa herança, enquanto encontramos formas contemporâneas de a apresentar, seja através do design das embalagens, do desenvolvimento de novos produtos ou da forma como contamos a história da marca ao público.
Muitas marcas históricas enfrentam o desafio de se manterem relevantes para novas gerações. Que estratégias têm sido fundamentais para rejuvenescê-la sem perder autenticidade?
Um dos elementos mais importantes foi revisitar o arquivo da marca e perceber que ali existia um património visual e cultural incrível. A partir daí, conseguimos reinterpretar essa herança de forma contemporânea.
Também procuramos inovar nos ingredientes e nas combinações olfativas, trazendo elementos inesperados, mas sempre alinhados com a identidade da Granado. Essa curiosidade pelo novo, aliada à tradição, tem ajudado a aproximar a marca de públicos mais jovens.
A perfumaria vive atualmente um momento muito interessante, com consumidores cada vez mais atentos à história e aos ingredientes das fragrâncias. Que tendências estão hoje a marcar o setor?
Hoje vemos consumidores muito mais informados e interessados em compreender o que está por trás de uma fragrância, desde os ingredientes até à narrativa criativa. Existe também um crescimento muito forte de fragrâncias com personalidade própria.
Nesse contexto, a Granado encontra um espaço muito natural, porque as nossas fragrâncias têm uma identidade clara e uma história para contar, muitas vezes inspirada na biodiversidade brasileira e na cultura do país.
Como nasce uma nova fragrância dentro da marca? Começa por um ingrediente, um conceito ou uma narrativa?
O processo pode começar de várias formas. Às vezes surge a partir de um ingrediente interessante, outras vezes de uma ideia ou de uma emoção que queremos traduzir numa fragrância.
Trabalhamos em colaboração com perfumistas e partilhamos com eles um universo criativo - referências culturais, histórias, imagens ou sensações que queremos transmitir. A partir daí, começa um diálogo que vai evoluindo até encontrarmos a interpretação olfativa certa.
A identidade brasileira é um elemento muito presente no universo da Granado. De que forma essa herança cultural influencia a criação de novos produtos e o posicionamento da marca no mercado internacional?
A brasilidade é um elemento central da nossa identidade. Desde o início, a Granado trabalhou com plantas e ingredientes naturais do Brasil, e essa ligação com a biodiversidade continua a inspirar muitos dos nossos produtos.
No mercado internacional, isso torna-se também um elemento diferenciador. Contamos histórias brasileiras com orgulho - histórias ligadas à natureza, ao Rio de Janeiro e à cultura do país - e percebemos que isso tem ressoado muito bem junto dos consumidores.
Entre todos os produtos e fragrâncias da Granado, há algum que tenha um significado especial para si? Se tivesse de escolher um favorito da marca, qual seria e porquê?
Tenho um carinho especial por Nostalgia, que é uma fragrância muito confortável e elegante, quase como uma "segunda pele". Representa muito bem a ideia de perfume que acompanha a pessoa de forma natural, sem ser excessivo.
Depois de mais de 150 anos de história, o que ainda gostaria de ver a Granado conquistar ou explorar no futuro?
O que mais me entusiasma é continuar a apresentar a Granado ao mundo. Ainda há muitos consumidores que não conhecem a marca e a sua história, e cada novo mercado é uma oportunidade de partilhar esse património.
Gostaria de ver a Granado consolidar-se cada vez mais como uma referência internacional de perfumaria e bem-estar, mantendo sempre aquilo que nos torna únicos: a combinação entre tradição, inovação e identidade brasileira.


















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