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O ideal de beleza está a mudar. O futuro é well-aging

  • Foto do escritor: Ana Rita Rebelo
    Ana Rita Rebelo
  • 27 de nov. de 2025
  • 5 min de leitura

Uma investigação global da Merz Aesthetics revela como a medicina estética está a redefinir a relação entre confiança, bem-estar e envelhecimento. Em entrevista à hAll,  Marta Calderón, diretora de inovação e marca corporativa e gerente interina da Merz Aesthetics Ibéria, analisa a mudança cultural que está a transformar o setor.



A forma como nos relacionamos com o espelho e com o que ele devolve está a mudar. O estudo Pillars of Confidence, realizado pela Merz Aesthetics junto de 15 mil adultos em 15 países, revela que 72% dos inquiridos sentem que os tratamentos médico-estéticos influenciam a forma como se veem, enquanto 69% recorrem a estes procedimentos para que a imagem acompanhe aquilo que, intimamente, já reconhecem em si.


Para Marta Calderón, diretora de inovação e marca corporativa e gerente interina da Merz Aesthetics Ibéria, esta conclusão valida aquilo que, internamente, já era uma convicção. "Durante anos, a indústria concentrou-se quase exclusivamente no resultado visível, mas na Merz Aesthetics sempre soubemos que a estética vai muito além disso", afirma à hAll. A responsável lembra que a marca nasceu com a missão de "ajudar as pessoas a construir a sua autoconfiança", algo que os dados agora confirmam: a componente emocional é tão importante como a física na forma como cada pessoa se vê, sente e apresenta ao mundo.


A investigação confirma igualmente que esta evolução está alinhada com o avanço do well-aging, uma filosofia que propõe uma relação mais equilibrada com a idade. Os dados mostram que o cuidado com a pele, a vitalidade e o bem-estar diário são agora prioridades, e que, para muitos, envelhecer deixou de ser algo a travar para passar a ser um processo a viver de forma mais consciente e tranquila.


Marta Calderón traduz esta mudança de paradigma: "O objetivo já não é parecer mais jovem, mas sentir-se bem consigo mesmo em cada etapa". Reforça ainda que, atualmente, as pessoas procuram naturalidade, segurança e informação, privilegiando intervenções que acompanhem a sua evolução.


O estudo revela que a autoconfiança não depende apenas da imagem. Na sua visão, a indústria subestimou durante muito tempo o impacto emocional destes tratamentos?


Durante anos, a indústria concentrou-se quase exclusivamente no "resultado visível". Na Merz Aesthetics sempre soubemos que a estética vai muito além disso. A nossa empresa nasceu com um objetivo claro: ajudar as pessoas a construir a sua autoconfiança. Não é por acaso que "Confidence to Be" é o nosso slogan global. O estudo Pillars of Confidence vem confirmar, agora com dados, aquilo que já intuíamos: a estética tem uma componente emocional tão relevante quanto a física. Hoje sabemos que, quando uma pessoa se sente bem com a sua aparência, melhora também o seu bem-estar emocional, a sua segurança e até a forma como se relaciona com os outros. A estética não é apenas uma questão de imagem; é uma ferramenta que, usada com responsabilidade, evidência e profissionalismo, pode fortalecer a relação de cada pessoa consigo mesma.


"Num estudo recente com pacientes da terceira idade, verificámos que as suas referências de beleza não são modelos mais jovens, mas pessoas da própria geração."

Sete em cada 10 pessoas dizem que um tratamento muda a forma como se veem. Onde termina a estética e começa o bem-estar emocional? O futuro passa por integrar as duas dimensões?


Não são dimensões separadas; estão profundamente ligadas. Por isso, na Merz Aesthetics trabalhamos com uma visão holística, que integra resultados naturais, segurança clínica e impacto positivo no bem-estar emocional. Contamos com ciência sólida, tecnologia avançada e produtos concebidos para respeitar a naturalidade do rosto. Há, contudo, um aspeto essencial em que investimos de forma diferenciada: a formação do profissional. Não se trata apenas de técnica ou produto, mas também de experiência do paciente, comunicação, empatia e capacidade para reconhecer quando uma necessidade é estética e quando entra no âmbito psicológico. Na Merz Aesthetics defendemos uma estética consciente, onde técnica e emoção coexistem e onde a confiança é o verdadeiro indicador de sucesso.


O conceito well-aging surge como alternativa ao tradicional anti-aging. Estamos a abandonar a pressão para parecer mais jovem? O que é que as pessoas realmente procuram hoje?


Estamos a viver uma mudança cultural profunda. O objetivo já não é "parecer mais jovem", mas sentir-se bem consigo mesmo em cada fase da vida. Na Merz Aesthetics promovemos esta visão centrada no bem-estar e defendemos o lema "El tiempo nos sienta bien". A idade é um número; a atitude é o que realmente importa. Num estudo recente com pacientes da terceira idade, verificámos que as suas referências de beleza não são modelos mais jovens, mas pessoas da própria geração. Não pretendem apagar a passagem do tempo, mas destacar o melhor de si, sem se transformarem; querem manter-se ativos, sentir-se plenos e viver com confiança.


No estudo, os países europeus mostram atitudes distintas face à confiança e ao envelhecimento. Como é que a Merz Aesthetics adapta a sua estratégia a culturas tão diferentes sem cair em estereótipos?


A chave está em saber ouvir. Cada cultura vive a passagem do tempo e a estética de forma diferente, e a nossa responsabilidade como marca global é adaptar-nos sem impor modelos, integrando a diversidade. Por isso combinamos insights locais, investigação sociocultural e a colaboração da nossa rede de especialistas, para compreender o que realmente motiva cada público. Na Península Ibérica, por exemplo, existe uma maior tendência para a naturalidade e uma abertura crescente em relação à estética, enquanto noutros mercados o ritual de "cuidar de si" é vivido a partir de perspetivas muito distintas. O nosso papel não é homogeneizar, mas acompanhar cada país respeitando a sua identidade, a sua relação com a beleza e os seus valores sociais.


"Quando praticada com critério e profissionalismo, [a medicina estética] deixa de ser tabu e torna-se uma forma legítima de autocuidado."

Ainda existe tabu em torno dos tratamentos médico-estéticos? O que trava esta normalização? Quem deve liderar a mudança: marcas, profissionais ou público?


Somos um laboratório que apoia tanto os pacientes que desejam realizar tratamentos médico-estéticos como aqueles que não desejam. Queremos que todos se sintam igualmente livres e confiantes para se expressar. O tabu está a desaparecer, mas ainda subsiste em certos segmentos. Essa resistência resulta de uma combinação de desinformação, receio de resultados artificiais e da perceção, já ultrapassada, de que cuidar de si é superficial. Há também um grupo que permanece mais condicionado: o paciente masculino. Por pressão social e pela associação histórica da estética ao público feminino, muitos homens revelam ainda alguma distância inicial. No entanto, trata-se de um dos segmentos que mais cresce, sobretudo na Península Ibérica, onde a taxa de crescimento duplica a média global de 15%.


A normalização exige um esforço conjunto. Os profissionais têm um papel determinante ao garantir ética, segurança e transparência em cada consulta. As marcas devem comunicar com responsabilidade, evidência científica e empatia, sem promessas irreais ou pressões estéticas. A sociedade, por sua vez, precisa de reconhecer que cuidar de si, tal como em qualquer área do bem-estar, é uma decisão pessoal, livre e legítima. Como indústria, temos o dever de educar, acompanhar e mostrar que a medicina estética moderna é ciência, bem-estar e confiança. Quando praticada com critério e profissionalismo, deixa de ser tabu e torna-se uma forma legítima de autocuidado.

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