Crítica. Choné regressa ao cinema para uma "trapalhada" como só os estúdios da Aardman sabem fazer
Há uma experiência científica que corre mal, um monstro à solta e uma quinta em modo Halloween. "A Ovelha Choné: Trapalhada na Quinta" chegou às salas de cinema portuguesas a 24 de setembro e mostra que, três décadas depois, Choné ainda sabe como nos fazer rir.

★★★★☆
Há personagens que envelhecem connosco e outras que parecem não envelhecer. Trinta anos depois, a Ovelha Choné continua sem precisar de dizer uma única palavra para conquistar o público e a ter graça como se o tempo não tivesse passado. Felizmente para nós.
Choné apareceu pela primeira vez em 1995, em "A Close Shave", uma curta-metragem de Wallace & Gromit, e aquilo que poderia ter sido apenas mais uma personagem secundária dos estúdios Aardman ganhou uma vida inesperadamente longa. Vieram depois uma série televisiva - que soma sete temporadas e 190 episódios -, especiais e três aventuras para o cinema.
A mais recente chama-se "A Ovelha Choné: Trapalhada na Quinta" e faz algo bastante simples: pega em tudo aquilo de que gostamos neste universo e leva-o ao Halloween. Na Quinta de Mossy Bottom, os preparativos estão a todo o vapor. Para alegria do pequeno Timmy, a Choné e o restante rebanho cultivaram secretamente uma plantação de abóboras. O plano corria lindamente até, claro está, deixar de correr. Um acidente destrói as abóboras a poucos dias da festa e Timmy fica inconsolável.
Choné transforma-se numa espécie de Frankenstein de quatro patas e improvisa um laboratório num moinho abandonado. O objetivo? Criar uma poção que faça crescer novas abóboras em tempo recorde. Como qualquer pessoa que tenha visto cinco minutos de Ovelha Choné consegue antecipar, o resultado não será propriamente aquele que estava no plano.
De repente, há uma criatura à solta, pânico, nevoeiro e, felizmente, tudo aquilo que tornou os estúdios Aardman inconfundíveis. É difícil falar deste filme sem mencionar o estúdio que lhe deu vida. Numa altura em que a animação consegue criar mundos inteiros dentro de um computador, sabe particularmente bem olhar para este universo, onde até as pequenas imperfeições fazem parte do encanto.
A história em si é relativamente previsível e dificilmente alguém sairá da sala de cinema convencido de que acabou de assistir à grande obra-prima dos estúdios Aardman. Mas também não é isso que Choné veio fazer. Aos mais pequenos chegam o monstro, as perseguições, as abóboras e o caos que inevitavelmente se instala. Aos adultos ficam os pormenores: os cenários minuciosos, as referências cinematográficas, o humor e, sobretudo, o prazer de ver uma forma de animação em que ainda se reconhecem as mãos de quem a fez.
Assista ao trailer abaixo:




Comentários