O guia essencial do músculo (esquecido) que revela mais sobre si do que imagina
- Ana Rita Rebelo
- 11 de dez.
- 5 min de leitura
Há uma parte do corpo que reage a tudo: ao stress, movimento, às emoções e até à respiração. Foi sobre ela que a hAll falou com a fisioterapeuta María Pérez, colaboradora da Intimina, marca sueca que disponibiliza produtos para o bem-estar íntimo da mulher.

Há sinais que o corpo envia e que facilmente passam despercebidos. O pavimento pélvico é um desses mensageiros silenciosos e, segundo a fisioterapeuta María Pérez, colaboradora da Intimina, perceber como funciona é essencial para compreender o efeito real que o stress pode ter no organismo.
Em entrevista à hAll, a especialista recorre a uma imagem simples para desmistificar esta estrutura: "Imagine uma cama elástica feita de músculos e ligamentos que sustenta os seus órgãos pélvicos: a bexiga, o útero, a vagina e o reto. É forte, flexível e capaz de se adaptar à pressão que recebe de cima sempre que tosses, levantas peso ou fazes um esforço". Mas não está sozinha. "Faz parte de uma 'equipa estrela', juntamente com o abdómen, a zona lombar e o diafragma."
Mais: essa "cama elástica" também reage ao que acontece na mente. O stress não é apenas emocional - repercute-se no corpo: "Cerramos a mandíbula, encolhemos os ombros e até o pavimento pélvico se contrai". E, quando esta tensão se prolonga, começam a surgir sinais como sensação de peso, urgência para urinar ou dor durante as relações sexuais. É por isso que, como recorda, "ouvir o corpo é como ter um GPS interno que nos avisa quando algo não está bem".
Para María Pérez, cuidar do pavimento pélvico é cuidar de várias dimensões da vida - física, emocional e sexual. "O pavimento pélvico não é apenas um conjunto de músculos e ligamentos. É também uma zona profundamente ligada ao prazer, à confiança corporal e à sexualidade".
Começo por perguntar-lhe o que é o pavimento pélvico e que papel desempenha no equilíbrio do corpo?
Imagine uma cama elástica feita de músculos e ligamentos que sustenta os seus órgãos pélvicos: a bexiga, o útero, a vagina e o reto. É forte, flexível e capaz de se adaptar à pressão que recebe de cima sempre que tosses, levantas peso ou fazes um esforço. Essa cama elástica é o seu pavimento pélvico. Mas não está sozinha - faz parte de uma "equipa estrela", juntamente com o abdómen, a zona lombar e o diafragma. Todos trabalham em conjunto para que possa respirar bem, mover-se com agilidade e, claro, aguentar a vontade de urinar até chegar à casa de banho sem problema. Quando uma dessas peças se desajusta, as restantes sentem o impacto. Por isso, cuidar do pavimento pélvico não é apenas uma questão de evitar perdas de urina ou desconforto nas relações. É parte essencial de cuidar do equilíbrio global do corpo.
O stress é quase inevitável no nosso dia a dia. Como se manifesta no corpo e, especificamente, no pavimento pélvico? Que sinais podem indicar que algo não está totalmente bem?
O stress não fica apenas na cabeça - espalha-se por todo o corpo. Cerramos a mandíbula, encolhemos os ombros e até o pavimento pélvico se contrai. É como se entrasse em "modo de alarme" e ficasse preso nesse estado: rígido, alerta, incapaz de relaxar. Essa tensão constante pode causar sintomas como sensação de peso na vagina, vontade frequente ou súbita de urinar, dor durante as relações sexuais ou até desconforto ao sentar. Por vezes, não se trata de fraqueza, mas sim de um excesso de tensão que impede os músculos de trabalharem de forma coordenada. Nesses casos, mais do que fortalecer, é essencial ensinar o corpo a libertar, a confiar e a descansar.
"O pavimento pélvico não é apenas um conjunto de músculos e ligamentos - é também uma zona profundamente ligada ao prazer, à confiança corporal e à sexualidade."
Fala-se cada vez mais de consciência corporal. Que papel desempenha esta escuta ativa do corpo na prevenção e no bem-estar íntimo?
Ouvir o corpo é como ter um GPS interno que nos avisa quando algo não está bem - muito antes de surgirem os sintomas. No pavimento pélvico, essa consciência corporal ajuda-nos a identificar pequenos sinais: se estamos a contrair em excesso, se não respiramos corretamente ou se algo não flui naturalmente ao movimentar-nos. Através da respiração, do movimento consciente, de exercícios suaves ou até do uso de ferramentas como a vibração, podemos começar a reconectar-nos com esta zona de forma cuidada. Para isso, podem ser utilizados os massajadores Kiri, Raya ou Celesse, da Intimina, por exemplo.
Cuidar do pavimento pélvico também pode ser uma forma de melhorar o bem-estar geral e a vida sexual?
Absolutamente. O pavimento pélvico não é apenas um conjunto de músculos e ligamentos - é também uma zona profundamente ligada ao prazer, à confiança corporal e à sexualidade. Quando está funcional, melhora a sensibilidade, a lubrificação e a resposta sexual. Além disso, ao restabelecer a conexão com esta parte do corpo, muitas mulheres redescobrem o seu desejo, a sua capacidade de desfrutar e sentem-se mais seguras na própria pele.
Cuidar do pavimento pélvico também pode ser uma forma de melhorar o bem-estar geral e a vida sexual?
Absolutamente. O pavimento pélvico não é apenas um conjunto de músculos e ligamentos - é também uma zona profundamente ligada ao prazer, à confiança corporal e à sexualidade. Quando está funcional, melhora a sensibilidade, a lubrificação e a resposta sexual. Além disso, ao restabelecer a conexão com esta parte do corpo, muitas mulheres redescobrem o seu desejo, a sua capacidade de desfrutar e sentem-se mais seguras na própria pele.
Que práticas simples podem ajudar a aliviar ou prevenir o impacto do stress nesta zona?
Partilho um pequeno "kit" anti-stress para o pavimento pélvico:
Respire com consciência: uma respiração lenta e profunda, que envolva o movimento das costelas, pode ajudar a relaxar automaticamente o pavimento pélvico;
Mova-se com fluidez: dançar, caminhar, rolar no chão… Qualquer movimento suave que a tire do "modo estátua";
Faça pausas pélvicas: dedique alguns minutos por dia a alongar, fechar os olhos e observar como está a sua pélvis - como uma pequena meditação interna;
Massagens e automassagens: tanto na zona abdominal como na pélvica. O toque suave, além de ser agradável, ajuda a "reiniciar" a zona;
Ferramentas de relaxamento: como a vibração contínua, com a ajuda de massajadores da INTIMINA, que auxiliam a reduzir a tensão quando o stress está em alta.
Por vezes, libertar é mais terapêutico do que fazer mais. O seu corpo nem sempre precisa de mais atividade. Às vezes, só necessita de um pouco de silêncio e atenção.
Que mensagem deixaria às mulheres que sentem desconforto, mas ainda hesitam em procurar ajuda ou em falar abertamente sobre isso?
Digo-o às minhas pacientes e repito aqui: não está sozinha e não tem de aguentar em silêncio. O que lhe acontece tem nome, explicação e, na maioria dos casos, solução. Durante anos, ensinaram-nos que falar sobre perdas de urina, dor ou prazer era de mau gosto ou exagero. Mas somos cada vez mais as que estamos a quebrar esse silêncio. O seu corpo merece ser ouvido e cuidado - não silenciado. E todas merecemos viver sem medo, sem vergonha e com prazer.
Procurar ajuda não é sinal de fraqueza - é um ato de coragem. E falar sobre o que sentimos pode ser o primeiro passo para um verdadeiro antes e depois.




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