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A companhia que o ajuda a adormecer também pode estar a interromper o seu sono

há 15 horas
3 min de leitura

O cão aos pés da cama pode fazê-lo sentir-se mais seguro. O gato junto à almofada também. Só que partilhar a cama com eles pode ter um lado menos descansado.



Há quem só consiga adormecer depois de sentir o cão aos pés da cama ou estranhe o silêncio quando o gato decide passar a noite noutra divisão. Há também quem garanta, sem hesitar, que dorme melhor quando o patudo está por perto. Mas há um senão.


"A presença noturna de um animal de estimação pode ter um efeito emocionalmente positivo, reduzir a ansiedade e aumentar a sensação de segurança. Por outro lado, um animal que esteja mais agitado durante a noite pode impactar negativamente a qualidade do sono do seu tutor”, explica Tiago Sá, especialista em medicina do sono, em entrevista à hAll, a propósito do Dia Mundial do Animal, assinalado este domingo, 4 de outubro.


É esta aparente contradição que ajuda a perceber porque não há uma resposta simples para a pergunta: afinal, dormir com o cão ou o gato faz-nos dormir melhor ou pior? Um movimento do animal pode ser suficiente para provocar um microdespertar - ou seja, "um período curto de ondas cerebrais mais rápidas, típicas do estado de vigília, com uma duração entre de três a 15 segundos". "Na esmagadora maioria das vezes, só temos consciência de despertares mais prolongados do que estes."


O resultado é curioso: podemos acordar com a sensação de que dormimos continuamente e ter, na realidade, passado por várias pequenas interrupções, e, quando se acumulam, fazem diferença. "Um período de sono com muitos despertares, é naturalmente um sono mais fragmentado e de pior qualidade."


A proximidade também conta. Ter o animal no quarto não é o mesmo que tê-lo encostado a nós durante várias horas. Isto porque, como refere o especialista, "os movimentos noturnos de um animal que dorme na mesma cama que os seus tutores terão um impacto maior na qualidade do sono, em comparação com a presença de um animal que dorme no quarto, mas fora da cama".


E há companheiros de cama mais irrequietos do que outros. Tiago Sá aponta que até o tamanho de um cão pode fazer diferença. "Sabemos que cães de pequeno porte são habitualmente mais ativos durante a noite que os cães de maior porte, que habitualmente dormem por períodos mais prolongados durante a noite."


Já os gatos, diz, "são por natureza animais com um padrão de atividade mais noturno e, com frequência, a presença destes animais no quarto dos tutores resulta em noites de sono de pior qualidade".


Ainda assim, mandar o animal para fora do quarto não significa automaticamente que vamos dormir melhor. "O sentimento de segurança e tranquilidade favorece um sono mais profundo e contínuo. Já a sensação de insegurança e intranquilidade contribui para um sono mais leve e fragmentado."


Os casos em que é melhor manter alguma distância


Quer isto dizer que o impacto depende não apenas do animal, mas também de quem dorme ao lado dele. "Indivíduos com queixas de insónia, apresentam um estado de hipervigília e um sono mais leve e facilmente interrompível. A presença de animais no quarto destas pessoas terá um efeito potencialmente mais negativo e é muitas vezes desaconselhado."


Mais: a qualidade do sono não é o único aspeto a ter em conta. Tiago Sá recomenda "manter uma higiene adequada do animal, vigiar sinais de doença e garantir o acompanhamento veterinário regular". Para quem tem patologia respiratória ou alergia ao pelo, aconselha também a limpeza regular do quarto, tapetes, cortinados e roupa da cama para reduzir a exposição a pelos e poeiras.

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