Crítica. Brad Pitt é a estrela, mas é Odin quem nos conquista em "Heart of the Beast"
Um acidente de avião deixa Brad Pitt e Odin entregues à natureza selvagem do Alasca. "Heart of the Beast: Heróis Inseparáveis" estreou esta quinta-feira, 24 de setembro, nos cinemas portugueses.

★★★☆☆
Diz-se - e, a nosso ver, com razão - que o cão é o melhor amigo do homem e "Heart of the Beast: Heróis Inseparáveis" leva a expressão quase à letra. Quando tudo o resto desaparece, James Belmont (Brad Pitt) tem apenas Odin. É dessa relação, mais do que da luta pela sobrevivência, que vive o novo filme de David Ayer.
Entre James e Odin há muito mais do que a habitual relação entre dono e cão. Combateram lado a lado, sobreviveram à guerra e continuam ligados pelas marcas que essa experiência deixou. James passou 30 anos nas Forças Armadas norte-americanas, integrou a Delta Force e serviu no Iraque e no Afeganistão. Odin acompanhou-o sempre.
É esta relação que David Ayer coloca no centro de "Heart of the Beast". Depois de um acidente de avião, James e Odin ficam isolados no Alasca, sem ajuda à vista e obrigados a encontrar uma forma de regressar à civilização. A partir daí, quase tudo desaparece: as outras personagens, grande parte do diálogo e qualquer vestígio de conforto. Ficam um homem, um cão e quilómetros de natureza entre eles e a salvação. Com exceção de uma breve aparição de J.K. Simmons no início, estamos praticamente entregues a James e Odin.
David Ayer consegue transmitir uma verdadeira sensação de isolamento. O Alasca torna-se praticamente um terceiro protagonista, embora, na realidade, aquilo que vemos seja a Nova Zelândia, onde decorreram as filmagens.
Já Brad Pitt entrega uma interpretação muito mais física do que verbal. James não é uma personagem que passe o filme a explicar aquilo que sente. Vemos o cansaço, o medo e a determinação no corpo, no rosto e, muitas vezes, simplesmente na forma como olha para Odin.
Mas Pitt tem concorrência. Odin é tão importante para o filme como James e foi, na realidade, interpretado por quatro pastores-alemães. Uber, um antigo cão-polícia que passou depois para busca e salvamento, assumiu a maior parte dos grandes planos e tornou-se tão essencial durante as filmagens que chegou a ocupar o primeiro lugar na folha diária de rodagem, posição habitualmente reservada a um ator da dimensão de Brad Pitt. Os restantes três cães, Ryker, Zika e Hondo, são filhos de Uber.
Brad Pitt chegou à Nova Zelândia três semanas antes do início das filmagens precisamente para criar essa cumplicidade com os animais e compensou. Em todo o tempo do filme, nunca duvidamos de que James faria tudo para salvar Odin, nem de que Odin faria exatamente o mesmo por James. O problema é que, depois de estabelecida a relação entre ambos, "Heart of the Beast" tem pouco mais para nos oferecer.
Durante 101 minutos, acreditamos naquela amizade, preocupamo-nos com os dois e queremos desesperadamente que encontrem o caminho de regresso a casa. Depois chegam os créditos e percebemos que estivemos entretidos, sim, mas não necessariamente impactados pelo que acabámos de ver.
Veja o trailer abaixo:




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