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O inverno para lá do frio: o que acontece ao corpo quando as temperaturas descem

  • Foto do escritor: Ana Rita Rebelo
    Ana Rita Rebelo
  • há 5 dias
  • 2 min de leitura

António Hipólito de Aguiar, médico de clínica geral e medicina da longevidade, esclarece os principais efeitos do frio no organismo.



Quando o frio aperta, dormimos mais, mexemo-nos menos e tudo parece exigir um esforço acrescido. A vaga de frio que se tem feito sentir em Portugal nos últimos dias veio lembrar que o inverno não se resume às temperaturas baixas.


Para lá das mãos geladas e do sono pesado, há alterações reais no funcionamento do organismo. Em entrevista à hAll, António Hipólito de Aguiar, médico de clínica geral e medicina da longevidade, ajuda a decifrar esses sinais.


O frio muda a forma como o nosso corpo funciona? O que acontece quando as temperaturas descem?


Sim, efetivamente muda. Quando está frio, o corpo entra como se fosse num "modo de poupança". Para manter os órgãos vitais quentes, os vasos sanguíneos contraem-se (vasoconstrição), especialmente nas mãos, pés e pele, o que ajuda a conservar calor, mas também faz com que nos sintamos mais frios, rígidos e, por vezes, menos ágeis. O corpo também gasta mais energia para se manter quente, mesmo que não sintamos isso de forma muito evidente.


Porque é que no inverno nos sentimos mais cansados? É só impressão ou há uma explicação?


Não é apenas sensação. No inverno há menos horas de luz solar, o que influencia o nosso "relógio biológico", ou seja, os hábitos que adotamos. Dormimos mais ou sentimos mais sono, mas nem sempre com descanso de qualidade. Além disso, o corpo está a trabalhar mais para manter a temperatura, o que pode contribuir para uma sensação de cansaço geral e menor motivação para desenvolver ações.


O frio pode agravar problemas de saúde ou causar sintomas novos?


Pode, sim. Pessoas com problemas respiratórios, articulares ou cardiovasculares tendem a sentir mais dificuldades no frio. As articulações podem ficar mais rígidas, a tensão arterial pode subir e as constipações tornam-se mais frequentes. Mesmo pessoas saudáveis podem notar a pele mais seca, os lábios gretados, dores musculares ou maior sensibilidade ao frio.


Há hábitos do dia a dia que se tornam mais importantes no inverno e que tendemos a desvalorizar?


Vários. No inverno, bebemos menos água porque temos menos sede, mas continuamos a precisar de hidratação. Também é comum mexermo-nos menos, o que contribui para rigidez e falta de energia. A alimentação equilibrada, com refeições quentes e nutritivas, ajuda o corpo a manter-se forte e a "gerir" melhor as temperaturas mais baixas.


Que pequenos cuidados fazem a diferença nos meses frios?


Vestir-se por camadas, para manter o calor sem suar demasiado; ter atenção ao sono e aproveitar a luz natural sempre que possível; beber água ao longo do dia, mesmo sem sede; manter algum movimento diário, nem que seja uma caminhada curta; e cuidar da pele com hidratação regular, através de cremes adaptados ao seu tipo e estado. São gestos simples, mas que ajudam bastante a viver o período de inverno com mais conforto e menos impacto no corpo.

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