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O que uma dermatologista quer que saiba antes de se maquilhar para o Halloween

há 4 horas
3 min de leitura

Das colas para pestanas às tintas de composição desconhecida, há erros que podem transformar o disfarce perfeito num problema. Marta Ribeiro Teixeira, dermatologista da Clínica Bellage explica como evitá-los.



Há quem passe horas a preparar o disfarce perfeito para o Halloween. Entre pinturas elaboradas, feridas falsas e pestanas dramáticas, todos os detalhes contam. Mas há um que nem sempre recebe a mesma atenção: a saúde da pele.


Vermelhidão, comichão, ardor e até reações alérgicas são, como explica à hAll a dermatologista Marta Ribeiro Teixeira, da Clínica Bellage, alguns dos riscos associados à utilização de maquilhagem inadequada e nem sempre o perigo está nos produtos mais elaborados. Uma cola para pestanas, um pincel partilhado ou uma tinta aplicada demasiado perto dos olhos podem ser suficientes para causar problemas. Dormir sem retirar a maquilhagem também não ajuda.


O que devemos verificar no rótulo e na embalagem dos produtos de maquilhagem de Halloween?


Importa confirmar a lista de ingredientes, as instruções e advertências, a validade ou o prazo após a abertura e o número de lote. A embalagem deve estar íntegra e o produto bem conservado. Convém ainda verificar se é indicado para a zona pretendida, uma vez que uma tinta própria para o rosto pode não ser adequada para aplicar junto aos olhos. As pessoas com alergias de contacto conhecidas devem confirmar no rótulo que o produto não contém as substâncias a que são alérgicas.


Outra dica importante é privilegiar produtos produzidos na União Europeia, onde existe uma regulamentação muito rigorosa relativamente às substâncias e concentrações que podem ser utilizadas neste tipo de produtos.


Há ingredientes ou produtos aos quais devemos prestar especial atenção?


As colas para pestanas artificiais, os produtos muito perfumados e as tintas de composição desconhecida merecem particular cuidado, sobretudo em pessoas com pele sensível ou antecedentes de alergia. Fragrâncias, conservantes e componentes de algumas colas podem causar reações cutâneas. Devemos usar produtos concebidos para a pele, nunca tintas de artesanato ou colas comuns.


Experimentar o produto numa pequena zona da pele pode prevenir uma reação?


Pode ajudar a detetar uma reação antes de aplicar o produto no rosto. Recomendo experimentar uma pequena quantidade no braço, pelo menos 24 a 48 horas antes. Se for um produto novo e houver tempo, observá-lo durante vários dias é ainda mais prudente. A ausência de reação nesse teste não garante, contudo, que a pele do rosto não vá reagir. As alergias de contacto tendem a manifestar-se mais tarde e, caso ainda não tenha havido contacto prévio com a substância em causa, podem demorar algum tempo a surgir.


Que cuidados especiais exige a maquilhagem na zona dos olhos?


A pele das pálpebras é delicada e os olhos podem ser irritados por pigmentos, colas ou partículas de glitter. Nesta área, devem usar-se apenas produtos expressamente indicados para os olhos e evitar glitter solto junto à linha das pestanas. As colas não devem entrar em contacto com os olhos e toda a maquilhagem ocular deve ser removida antes de dormir.


Quais são os riscos de partilhar maquilhagem ou acessórios?


Pincéis, esponjas e produtos aplicados diretamente na pele podem acumular microrganismos e resíduos de outras pessoas. A partilha pode favorecer foliculite, outras infeções da pele e, no caso dos produtos para os olhos, conjuntivite. O ideal é usar aplicadores individuais, limpos ou descartáveis.


Que impacto pode ter dormir com a maquilhagem? Como devemos removê-la?


Deixar durante a noite uma maquilhagem espessa, sobretudo se for oclusiva, prolonga o contacto com possíveis irritantes e pode favorecer borbulhas ou foliculite em pessoas predispostas. Antes de dormir, devem retirar-se cuidadosamente próteses e colas, usar um desmaquilhante adequado, lavar o rosto com um produto suave e aplicar hidratante. Na zona dos olhos, é importante remover a maquilhagem sem esfregar, utilizando desmaquilhantes específicos para esta área sensível.


Se surgirem vermelhidão, comichão, ardor ou inchaço, o que devemos fazer?


O primeiro passo é retirar o produto, lavar a pele com suavidade e não voltar a usá-lo. Uma compressa fria pode aliviar o desconforto. Nos dias seguintes, é preferível manter uma rotina simples, com hidratante, e evitar esfoliantes ou outros produtos irritantes. O ardor imediato sugere frequentemente irritação, enquanto a comichão e o eczema que aparecem mais tarde podem indicar alergia de contacto. Inchaço acentuado das pálpebras, bolhas, vermelhidão extensa ou sintomas que não melhoram justificam avaliação médica.


Se a reação se repetir, o dermatologista ou alergologista podem realizar testes epicutâneos para investigar uma eventual alergia. Por este motivo, vale a pena guardar a embalagem do produto.

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