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Só lhe apetece dormir e cancelar planos? O outono pode ter alguma coisa a ver com isso

há 4 dias
3 min de leitura

Os dias ficam mais curtos e, de repente, parece que falta energia para tudo? A mudança de estação pode estar a influenciar o seu bem-estar emocional.



Há dias em que os planos que antes pareciam apetecíveis começam a ser adiados e, quando chega a hora de sair de casa, ficar no sofá parece uma alternativa muito melhor. Mas porque é que isto acontece, mesmo quando aparentemente está tudo bem? "A redução da luz natural pode influenciar o nosso ritmo biológico, o sono e a regulação do humor", explica Catarina Lucas, psicóloga e diretora dos Centros Catarina Lucas, à hAll.


Com a chegada do outono, os dias tornam-se mais curtos, as temperaturas descem e passamos menos tempo expostos à luz natural. Estas alterações podem ter consequências no nosso bem-estar emocional. O resultado pode ser uma sensação de tristeza, irritabilidade ou falta de motivação que surge mesmo quando, aparentemente, está tudo bem na nossa vida. "Nem sempre o nosso estado emocional depende apenas daquilo que acontece à nossa volta", esclarece a especialista.


É tristeza ou depressão sazonal?


Embora estas mudanças sejam possíveis nesta altura do ano, nem todas são motivo de preocupação. Sentir menos energia durante alguns dias nem sempre significa que exista um problema de saúde mental. Todavia, é importante prestar atenção quando estas alterações se prolongam e começam a interferir com a rotina.


A depressão sazonal é uma condição clínica reconhecida, mas a expressão é frequentemente utilizada para descrever qualquer quebra de humor associada à mudança de estação. Como explica Catarina Lucas, há três fatores que a distinguem: a duração, a intensidade dos sintomas e o impacto na vida quotidiana. "Uma quebra de humor passageira tende a ser ligeira e não compromete significativamente o dia a dia. Na depressão sazonal, os sintomas são mais persistentes e podem interferir com o trabalho, as relações e as atividades habituais."

"Muitas vezes, interpretamos estas mudanças como preguiça ou falta de força de vontade. No entanto, podem indicar que algo não está bem."

Porém, nem sempre as alterações emocionais se manifestam através da tristeza. Há outros sinais que podem passar despercebidos. Dormir mais do que o habitual, ter dificuldade em levantar-se, sentir uma quebra persistente de energia ou perder o interesse em atividades de que antes gostávamos são alguns dos exemplos identificados pela psicóloga. "Muitas vezes, interpretamos estas mudanças como preguiça ou falta de força de vontade. No entanto, podem indicar que algo não está bem e que precisamos de cuidar da nossa saúde emocional."


"O descanso é importante, mas devemos perceber como nos sentimos depois de estarmos sozinhos", recomenda Catarina Lucas. Se o tempo passado a sós aumenta a tristeza, a solidão ou a falta de motivação, pode estar a contribuir para um ciclo de isolamento. Nestes casos, a especialista aconselha a preservar algum contacto social e a continuar a realizar atividades prazerosas.


A luz natural pode fazer a diferença?


Além de manter o contacto com os outros, há pequenos hábitos que podem ajudar a contrariar algumas destas alterações. Um deles passa por aproveitar melhor as horas de luz disponíveis. A exposição à luz natural pode ajudar a regular o ritmo de sono-vigília e contribuir para o bem-estar. Por isso, sair para uma caminhada ou passar algum tempo ao ar livre pode ser útil, sobretudo numa altura em que tendemos a permanecer mais tempo dentro de casa.


Mas estas medidas nem sempre são suficientes. Quando as alterações do humor se tornam persistentes, interferem com o dia a dia ou regressam na mesma altura todos os anos, é importante procurar acompanhamento profissional. "Se estas alterações se repetem todos os anos, procurar ajuda antecipadamente pode permitir identificar padrões e preparar estratégias de prevenção", conclui Catarina Lucas.

Quem pode e deve contactar em caso de necessidade?


Aconselhamento psicológico do SNS 24: 808 24 24 24 selecionar depois opção 4 (24 horas por dia)


SOS Voz Amiga: 213 544 545 | 912 802 669 | 963 524 660 (15:30 à meia-noite e meia)


Conversa Amiga: 925 512 884 | 925 512 887 | 808 237 327 | 210 027 159 (15 às 22 horas)


Telefone da Amizade: 228 323 535 | 222 080 707 (16 às 23 horas)


Escutatório, Linha de apoio psicológico, Fundação S. João de Deus: 924 101 462 (10:30 às 12:30 e das 14:30 às 16:30)

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