Este mês nunca mais acaba? Perguntámos a um especialista porque é que janeiro custa tanto a passar
- Ana Rita Rebelo
- 23 de jan.
- 2 min de leitura
Há fatores emocionais e biológicos que ajudam a explicar porque é que janeiro parece interminável. João Pedro Lourenço, psiquiatra da Sociedade Portuguesa de Psicossomática, esclarece à hAll.

Todos os anos, a sensação repete-se: janeiro custa a passar e não é apenas uma impressão coletiva. Há várias explicações ligadas ao corpo, ao cérebro e ao estado emocional que ajudam a perceber porque é que este mês é vivido de forma mais pesada.
Como explica João Pedro Lourenço, psiquiatra da Sociedade Portuguesa de Psicossomática, à hAll, "janeiro é o mês caracterizado pelo regresso às rotinas, pelo fim das festas de Natal e fim de ano, por maior pressão financeira e por um clima frio com menos horas de luz". Este conjunto de fatores exige um esforço emocional acrescido", o que faz com que "o cérebro tenda a registar o tempo como mais lento". Isto porque, acrescenta, "a percepção temporal está intimamente ligada ao estado emocional e ao nível de ativação mental".
"O stress e o cansaço emocional aumentam a sensação de esforço contínuo, levando a uma vivência mais pesada do dia a dia", refere o psiquiatra, sublinhando que "isso manifesta-se na sensação de dias longos, menor tolerância à frustração, maior fadiga mental e na impressão de que as tarefas demoram mais tempo a concluir". O especialista sublinha também que "humor depressivo, ansiedade, desmotivação, perda de prazer estão associados a uma percepção de que o tempo passa mais devagar”.
Sentir que os dias não passam não é, por si só, um problema clínico. Ainda assim, "pode ser um sinal de alerta, sobretudo quando acompanhado de tristeza persistente, desmotivação, cansaço fácil ou sensação de vazio". "Quando é persistente e interfere com o funcionamento diário merece atenção e eventual avaliação clínica", reforça João Pedro Lourenço.
Há, no entanto, estratégias simples que podem ajudar. "Introduzir pequenas novidades na rotina, fracionar tarefas, manter horários regulares de sono, praticar exercício físico, aumentar a exposição à luz natural e criar para si e para os outros momentos de prazer e partilha ajudam o cérebro a recuperar uma percepção temporal mais equilibrada."
No fundo, esta sensação de que janeiro "é um indicador claro de que vivemos num ritmo excessivamente exigente, com pouco espaço para descanso e recuperação emocional", conclui o psiquiatra, deixando um alerta para a necessidade de abrandar e reajustar expetativas no início de um novo ano.




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